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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

BOM NATAL!!!

Last Christmas no ar. O rapaz continua preso ao coração perdido num Natal lá pelos anos 80. Do século XX, que ainda me esqueço que já sou velha. E divertiam-se tanto naquele cenário de neve, o mesmo que imaginei anos a fio até que na segunda década da minha vida lá consegui ver neve. Nada igual, claro, mas igualmente interessante: na estrada a caminho do Santo António das Neves, em fila, com aventureiros a tentar inversões de marcha em espaços para carrinhos a pilhas... Conseguimos também a proeza, num nível máximo de dificuldade considerando os 20 anos d
o Datsun preto, modelo digno de viatura de estado pela imponência e espaço ocupado...

All I want for Christmas is you... mais uma, a contagiar qualquer resistente ao espírito. Os olhos tresloucados de quem procura a última-caneca-oferecível-como-lembrança-de-Natal-cuidadosamente-estudada e percebe que está em competição com outros olhos igualmente fora de órbitas, em desvantagem por três passos de distância ao expositor...

Os saldos/promoções/ofertas/oportunidades/e afins de dia 23. Às seis da tarde. Com muita magia no ar assegurada pelas decorações penduradas a meio de Outubro, em pleno espírito natalício.
E claro, os encontrões, safanões, pisadelas, resmunguices, chamadas de atenção, olhares fulminantes ou desesperados dos desconhecidos que se cruzam em sofrimento partilhado. As filas...para entrar, para percorrer corredores, para participar na campanha, para pagar, para embrulhar, para cortar o papel para embrulhar em casa, para sair. Para respirar. Para saborear o espírito do Natal. 

E, claro, as campanhas de recolha de alimentos, donativos monetários, vestuário, brinquedos, medicamentos, para humanos e outros animais. Entusiastas. Significativas. Porque o espírito de bondade e cooperação se concentra na época natalícia. De Novembro a Dezembro, vá. No resto do ano não há fome ou carências que precisem de nós tão urgentemente como no Natal. 

E um qualquer forró brasileiro entra pelos corredores da grande superfície comercial, partindo de uma qualquer loja em que a comunicação com os clientes era tão insuportável que precisou de ser completamente boicotada. E o fumo das castanhas, novidade dos últimos anos em superfícies fechadas. Os cenários infantis, os Pais-Natal em catadupa entre montras, animadores de loja e o principal no largo central da grande superfície, suficientes para desenganar qualquer mente mais crédula numa multiplicação de pedidos repetidos à velocidade da fotografia de recuerdo.

E a Missa...onde se espiam todas as culpas de há duas horas atrás ao admitir que somos todos pecadores, e nos tornamos todos bons e com bons gestos para o nosso próximo. A um qualquer próximo anunciado em campanha e não necessariamente ao que vive triste e sozinho há cinco anos na porta ao lado da nossa. 

O melhor e o pior de nós, enquanto saboreamos bacalhau ou polvo, nas conversas de circunstância em que engolimos as críticas que noutra altura do ano nos saberiam a mel. Porque é Natal. E é para correr bem a noite. Mesmo quando desembrulharmos a caneca.
Estamos a dois dias do Natal. Ou já fizemos diferente, ou estamos nesta montanha russa de emoções, falhas e surpresas que nos dão o melhor e o pior dos outros. E que nos dão o melhor e o pior de nós mesmos. Ali, esfregado no nosso nariz, para conhecimento e alteração, com um ano inteiro de possibilidades de mudança até ao próximo Natal. Como no ano anterior. E o outro antes desse. Que nos trouxeram a hoje...

Faltam dois dias para o Natal. Embrulhou amor junto das "canecas" que ofereceu? Dispensou credos e politiquices, ofereceu só-porque-sim sem obrigações, lembrou-se dos seus mais distantes e mimou-os? Ajudou o próximo que descobriu ainda em tempo de praia? Sorriu ao desconhecido com que se cruzou na rua, apressado e sem brilho nos olhos, e desejou-lhe um "Bom Natal" sincero após o encontrão? Então está no caminho certo para o Natal. O verdadeiro. O que temos todos de recuperar urgentemente para vivermos o resto do ano. Para vivermos vivos e não em modo automático de atravessar dias. Para sermos o que queremos ser quando estamos possuídos pelo espírito do Natal. 

A todos... um BOM NATAL!!!
Um abraço.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Feliz Natal 2014


A árvore de Natal cá de casa está em construção. Está assim desde o seu primeiro ano e, por agora, a ideia é que irá ser o seu estado permanente. Percebe-se porquê: às bolas compradas inicialmente juntaram-se enfeites feitos pelos pequenotes e oferecidas por amigos, num conjunto capaz de chocar o olho mais apurado para estas coisas da decoração. Há quem diga que "talvez comece a ficar muito cheia"...


Aos meus olhos está perfeita. Quando a enfeitamos, tarefa que as crianças adoram, vamos lembrando de onde veio cada peça e, deste modo, acabamos por nos lembrar de visitas e amigos, de empenhos em artes diferentes e de momentos bons de guardar. Selecção feita, claro, às decorações de cumprir calendário, aquelas que a professora/educadora/monitora fez com (por) as crianças por receio de quebrar a tradição ou ofender algum encarregado de educação, mesmo que sem grande significado para os pequenos trabalhadores. Essas são chumbadas no momento em que chegam a casa. Ou, pronto, quando chega a altura de serem guardadas para o próximo ano. Na nossa árvore têm lugar apenas as que nos dizem alguma coisa.  E, por isso, para mim está perfeita. 

Lembro-me de fazer a árvore de Natal na Capela da Roda Fundeira com a minha tia Prazeres. E o Presépio, com pastores e ovelhinhas, com rios feitos de papel de alumínio e musgo, muito musgo. Se Jesus nasceu num deserto, o nosso era muito verde...E o menino era colocado na sua caminha no dia de Natal. Encolhia milagrosamente depois de ser beijado na Missa e ocupava o seu lugar na manjedoura, ladeado do burro e da vaca. Sempre que vejo um Presépio destes, mais que a correcção histórica, relembro o carinho de o construir com a minha tia, de se esperar pelo dia de Natal para o Menino nascer, de ter as mãos geladas do frio sem vento e de quase as queimar para aquecerem na lareira...

Estamos quase no Natal, novamente. Cá em casa o Presépio é uma peça única e não costumamos ir à Missa do Galo. Mas fazemos questão de viver os vários momentos - ir buscar a árvore e enfeites, montar e decorar, acender a iluminação pela primeira vez, preparar os embrulhos para oferecermos, o jantar de família e o desembrulhar dos presentes - com o maior carinho que conseguirmos juntar. Só isso torna esta época realmente especial.

A todos os amigos da Roda Fundeira e Relva da Mó, um Feliz Natal!
Um abraço.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Foi Carnaval, nínguem leva a mal o... Roddeon!!!


Nos últimos anos temo-nos habituado ao Corso Carnavalesco da Roda Fundeira. Este ano, não houve... Mas começámos o ano em festa e ainda não vos mostrámos a respectiva reportagem. E, pegando no título, foi Carnaval, ninguém leva a mal que falemos antes daquele que baptizámos como Roddeon!... 

Precisar o número de anos há que não fazia a passagen de ano na Roda Fundeira seria um exercício de memória algo trabalhoso. Lembro-me, no entanto, de andar a pintar madeixas azuis e douradas pelos convivas que se juntaram na Eira Nova, independentemente do credo, idade ou cargo na Comissão de Melhoramentos....acho que o Ti Albino só se escapou pela falta do que pintar. Porque lá rir-se da animação, bem que se riu!

Quando, este ano, tudo se começou a encaminhar para nos juntarmos lá... Foi À última da hora, mas foi!

Éramos 3 famílias, ou seja, 20 pessoas. Pouquitos, como de costume, para começar. Depois envolvemos os restantes aldeões, no vedadeiro espírito rodafundeirense: boa comida, boa bebida e a melhor animação!

Ficam as fotos. A missa e leilões da festa do 1º de janeiro, em Honra de Nosso Senhor dos Aflitos, Padroeiro da aldeia. Anunciaram-se os mordomos para o ano de 2014, Prazeres Hemriques e António Lopes.




A preparação para a noite, que se previa longa, cada um a seu modo...levámos e fizemos tudo, pelo que houve quem ficasse mais 5 ou 10 minutitos na cozinha e não aparecesse tanto nas fotos...




  

O banquete foi variado, mas pouco tradicional...leitão assado e bacalhau com natas, resmas de entradas variadas: salgados deliciosos, pães variados, queijos... E, claro, tudo bem regado...




Conseguimos que sobrasse uma ou duas, que reverteram a favor da Comissão de Melhoramentos da Roda Fundeira...







Com a diferença de fuso horário, gritámos ''feliz 2014'' às 00:03. Só porque antes tínhamos de cantar o hino nacional. E continuámos a cantoria pela noite adentro, com os do costume, os mais reservados, e até com grandes surpresas com direitos de autor ainda a negociar para podermos revelar tudo aqui. O que é certo é que, como a Missa e os leilões estavam feitos, ninguém precisou de se levantar muito cedo no dia seguinte. E nem o frio gelado, daquele que nos deixa contar os ossos, desmotivou. Foi bom!

Terrível foi ter de voltar no dia um, a viagem cada vez mais curta, mas de regresso de festa...


Fica o registo do início dos convívios deste ano que se quer memorável pela comemoração dos 80 anos da Comissão de Melhoramentos da Roda Fundeira. Foi uma iniciativa particular, é certo, mas fomos 26 a trazer vida à casa de convívio. Honrámos assim quem teve a ideia peregrina de a construir, e quem trabalhou para a manter ao longo de todos estes anos - Povo da Roda Fundeira, Relva da Mó e seus amigos. A nossa Casa serve para isto, para manter as aldeias unidas, para que possamos continuar a conhecer-nos, a gostarmos de estar juntos, a saber conviver e manter este espírito de começar a petiscar depois da Missa e só parar às 4 da manhã.

Foi um bom mote para o início deste ano. Vamos continuar? Afinal, para além de 80 anos...também deveremos festejar 500....

Um abraço.

sábado, 28 de dezembro de 2013

Bom Natal! Boas Festas! Bom 2014!

Este ano fiz azevias. Não são doces da nossa terra, mas desde que provei as da D. Julieta que me lembro delas no Natal. Sou pouco gulosa, nesta altura, sou...

O dia não foi mais especial que noutros almoços de família. Esta foi a análise profunda que a mais pequena cá de casa fez ao final do 25. "Nem parecia Natal, mãe!". Sorri. Vai levar anos a entender este meu sorriso, mas tinha pensado o mesmo meia-hora antes, entre pratos para lavar, na cozinha. O facto de não haver grande diferença, permite-me achar que tenho o privilégio de ter a família comigo, perto. No Natal trocamos umas prendas, poucas porque gostamos de manter ideias claras e costumes mais realistas, dos antigos. Também fazemos uns doces diferentes e damo-nos o direito de nos empanturrarmos com eles...esta é a verdadeira diferença do Natal. Também são feitos 3 ou 4 telefonemas a dizer que nos lembrámos. E pronto. E é bom que seja o natural.

Não me deixei desiludir com o comentário perspicaz e partilhei a minha ideia sobre o assunto. Tive um sorriso de volta e um pedido: "não voltes a fazer o bolo-rei!". Tenho de arranjar uma receita mais... de bolo rei. Esta, concluímos, seria de um bolo frutista cristalizado. Mas cumpriu o objectivo de nos unir em torno de algo novo. Mesmo que para o criticarmos e rirmos da tentativa falhada. Mais ou menos.

Este ano, fiz uma coisa diferente na manhã de Natal. Fiz questão de ouvir a benção "Urbi et orbi" de Sua Santidade, o Papa Francisco. Dou por mim a gostar dele. Talvez fossem mais assim e tivesse crescido bem mais católica do que sou. Praticante, entenda-se. O Papa Francisco fala como se fosse meu vizinho. Mas um vizinho bem mais sábio que eu e, como tal, modesto e sem pretensões, daqueles que gostamos de ouvir à lareira com as suas histórias. Com a sua vida. Foi a primeira vez que ouvi a benção e não apenas vi a imagem, o ritual. Do que foi partilhado (não afirmado, instituído, ditado ou doutrinado...) ficou-me uma frase: "Deixem o vosso coração comover-se!". 

E comovi-me. Porque foi em apelo de igual e não de superior. Porque foi o meu suposto vizinho que falou, embora que envergando umas vestes brancas e gerindo um poder e uma riqueza que não consigo medir.. Foi alguém não muito distante de mim, da minha realidade, que concluiu uma das suas histórias com esta frase... como se segurasse uma tenaz e fosse virar as brasas na fogueira. Porque, desta vez, senti o que ele disse. Porque, desta vez, o que ele disse fez-me sentir... e é isso que espero de um Papa: uma mensagem que me faça sentir, que me faça sentido.

Numa altura de balanços e promessas para um novo ano, este é melhor voto que vos posso deixar:

Em 2014, deixem o vosso coração comover-se!!! pode ser que faça a diferença...


Um abraço! E até para o ano!

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Feliz Ano 2013!

Já é dia 4 de Janeiro. Este ano ainda é novo, mas já tem 4 dias. Quer dizer que, se de uma pessoa se tratasse (e pensando numa esperança média de vida de 80 anos) teria quase meio ano de vida...
 
Desta vez fiz diferente: foram poucas as pessoas a quem desejei antecipadamente um feliz ano, embora retribuísse todos os votos que me chegaram.
 
Agora, que chego a dia 04, parece-me que já tive tempo suficiente para achar que os meus votos estão desligados do torbilhão de sorrisos, simpatias e boas-vontades sazonais, acompanhados de presentes ou lembranças comprados em massa, sem se pensar (e às vezes até sem saber) a quem se destinam. Nas redes sociais choveram mensagens pré-feitas - algumas bem bonitas, diga-se de passagem, por todo lado os pais Natal continuam a subir edifícios em bando, ouvem-se reclamações das Ceias de diferentes consoadas, das conversas das festas, dos costumes das famílias que se encontram nestas alturas, das desatenções (ou atenções excessivas) de alguns para outros. Foi o Natal e o Ano Novo.
 
Claro que desejo alto e bom som "Bom Ano!" quando encontro pessoas de quem gosto e a quem quero desejar um bom ano. Mas, a cada ano que passa, sou mais relutante a entrar neste espírito do "É Natal, vá lá..."para tudo-e-qualquer-coisa-que-apeteça. Durante os outros 11 meses do ano (10 nos anos fartos em que o Natal começa no final de Outubro), também precisamos do tudo-e-qualquer-coisa-que-apeteça e não há qualquer problema em dizer que não porque... não é Natal.
 
Lá em casa houve reunião familiar, árvore de Natal, postais de Natal, doces de Natal, festa de fim-de-ano, champagne e alegria da quadra festiva. Até se falou da crise (claro!!!) mas porque nos apeteceu, não porque nos foi imposto pelos noticiários, programas ou campanhas da época, e para rirmos um pouco desta loucura que vivemos e desse riso tirarmos mais força para continuar mais um ano de dificuldades.
 
Lá em casa foi Natal... porque estivemos com os nossos mais queridos (os que puderam estar, claro) e porque fizemos para eles paparoca da boa e porque nos rimos com eles, os mimámos e deixámos que nos mimássem. Porque é este o gosto do Natal lá de casa. E também houve presentes e lembranças, mas para poucos e a pensar neles, entregues com carinho pelos mais novos (super excitados com o seu papel de Pai Natal, que sabem que não existe porque somos nós que compramos as prendas juntos e as embrulhamos para oferecer, porque gostamos). E a grande resolução de Ano Novo é... prolongar o Espírito de Natal por todo o novo ano!
 
Por isso, para todos vós, porque hoje já é dia 4 de Janeiro e é mesmo sentido,
 
... que o Espírito de Natal se prolongue por 2013!!!!
 
Um abraço.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Envelhecimento activo e a Emília da Munha

Discute-se o envelhecimento activo e a necessidade de o promover. Há dias, ouvi alguém conhecedor, altamente condecorado, afirmar que devemos ensinar aos nossos filhos que têm uma dívida para com os cidadãos maiores, para que nunca se esqueçam de que lhes devem carinho e atenção porque estes já trabalharam muito por eles e para que eles tivessem (individual e socialmente) o que têm hoje. E isto ficou a moer-me o juízo. 

Começando pelo mais fácil... maiores?!?!?! "Maiores" poderá fazer sentido em Espanha, dada a sua tradição oral. Para nós, parece-me apenas estranho. Talvez seja eu a estar envelhecida e não conseguir ver mais além. Mas continuo a achar que tudo se resolvia facilmente se em vez de mudarmos a palavra, mudássemos antes a carga emotiva que lhe é associada. 

Porque é que "ser idoso" é assim tão mau? ou ser "sénior" (já de si uma "modernice")? Qualquer criança/jovem/adulto/idoso que não compreenda o privilégio que é atingir uma idade avançada irá continuar a colocar a carga perjorativa no "maior"... ou em qualquer outro termo para falar de pessoas com idade acima de 65 anos...

Passava as férias escolares com os meus avós, assim que os meus pais podiam também viajar. Quando penso em "avós" (e não necessariamente nos meus) penso em pessoas envelhecidas, com rugas e cheiros próprios (seus e das roupas), com dores e sorrisos e piadas que só eles entendem, e com conhecimento, da vida comum, da história, ou até do mais académico. Mas o mais importante é o que sinto, e isso sim muda tudo. Porque quando penso em "avós" sinto o carinho que tive deles e que foi cultivado pelos meus pais no resto do ano em que não nos víamos, porque fazíamos coisas importantes (e pequenas!) como telefonar ao avô semanalmente (pelo menos, porque a vida está(va) cara), enviar um postal de Natal aos avós, falar deles e das suas histórias (presentes e passadas) nos tempos partilhados pela família (refeições, passeios, festa e convívios...). Sempre com carinho, mesmo quando se falava dos defeitos. 

As emoções que associamos às palavras, são o que as torna boas ou más, para nós e para quem as ouve. E é com elas que demonstramos o respeito que temos ou não pelos outros... ou não seria possível, com as palavras mais correctas, dizer as maiores barbaridades possíveis a alguém.

Recuso-me a ensinar dívidas aos meus filhos. Acredito em ensinar respeito, afectos, reciprocidade, a cultivar a sensibilidade e a atenção para o que os nossos actos e palavras possam ter sobre os outros. Desde o berço que ouvem falar dos avós que nunca conheceram e da bisavó que ainda está viva, com visitas, e histórias e factos e fotos e desenhos, que ainda lhes conseguimos passar de tantos que eu própria já perdi. E talvez por isso, eles adorem os avós e não tenham medo de perguntar se podem fazer uma festinha à bisa, mesmo quando ela já teve dias em que foi mais bonita e comunicativa. E os avós, fazem parte deles enquanto pessoas. E sabem que existem mais avós no mundo para além dos deles.

Em vez de ensinar dívidas... que tal ensinarmos antes a cultivar afectos e respeito? Até porque estes se aplicam a idosos e a menos idosos também... a nós. Parece-me mais justo. Para nós, para as crianças, para os idosos e para a sociedade. Parece-me mais generoso também, darmos-lhes uma carga positiva - reconhecimento - em vez de dívidas. 
E sim, bem sei que nem todos os idosos são como eu descrevi. Eu também pretendo ser um pouco diferente. Mas sou toldada pela imagem que guardo dos meus avós... como esta, da Emília da Munha, de quem adorava as mãos, retorcida pelo gelo das águas e pela agrura do trabalho do campo. Quando me lembro das suas mãos, sinto uma onda de carinho a envolver-me. E não é por me lembrar do colo ou dos brinquedos que me deram, mas sim pelo carinho que sentia por ela... e dela. Sim, porque ela também me ensinou a respeitá-la e a gostar dela.

No Natal, fazem-me falta os meus avós. E a minha terra.

Até breve.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Ele vem aí!!!

Estas não foram tiradas agora... foi talvez há um ano, já não me lembro bem.

 
Mas é nevoeiro, o que vemos na serra. Daquele que parece algodão, que quase conseguimos agarrar. E vem, devagar, como alguém que segue o seu caminho, sem se importar com quem se cruza.
 
Nestes dias, na Roda Fundeira, o nariz fica gelado durante a noite, porque é a única coisa que fica destapada. De manhã, já com o galo cansado de cantar, ainda se houve o gelo a estalar na erva. As cabras sacodem as patas quando vão ao pastoreio.
 
Lembro-me de tudo isto e de adorar ir para a terra do meu avô (que na realidade até veio da Roda Cimeira...), mesmo sendo difícil brincar por estar tanto frio. Lembro-me de ficar à lareira na azáfama de se preparar o almoço e de ter o rosto vermelho de tão quente e as costas geladas do vento frio da rua que entrava pela meia-porta da cozinha. Lembro-me dos raspanetes ouvidos por queimar gravetos de pinheiro e fazer com eles mil desenhos no ar com a sua ponta incandescente.

 
Tenho saudades da Roda Fundeira. Tenho saudades de estar na escola e contar os dias para começar as férias de Natal, sempre garantia de visitar os meus avós. E tinha de estar frio, ou não parecia Natal. E lembro-me, avózinha, lembro-me tão bem do cheiro bom das fatias paridas deliciosas que fazias e que muitas vezes me recebia quando corria para a cozinha à tua procura, chegada desta terra que nunca vi muito como "a minha terra".
 
Já chegou o frio de Dezembro e é quase Natal. Só não tenho outra vez 8 anos...
 
Até breve.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

E um Bom Ano de 2012!!!

E assim que punha os pés na estrada de terra, depois de bem sacudida pelos imensos buracos, sentia o perfume inconfundível do fumo da chaminé dos meus avós...acho que era mesmo a única altura em que gostava daquele cheiro - à chegada. No dia seguinte, já estaria desgostosa por ele não se soltar da roupa e dos cabelos, mesmo que resolvesse evitar chegar-me à lareira e enfrentar o frio gélido da minha sala...

Mas o fumo lá continuaria, uma constante nas minhas férias de Natal, também pelo facto de o meu avô todos os anos querer fazer o sobreiro de Natal. Não o bolo - lá guloso era ele, verdade seja dita - mas sim o madeiro que acendia todos os anos na véspera de Natal e que deveria arder até ao Dia de Reis... explicava-me o meu avô, pacientemente, todos os anos, que era o costume "para as almas se irem aquecer". E eu lembro-me de ficar a olhar para o madeiro e pensar como poderiam as almas vir aquecer-se naquele tronco que ficava apenas incadescente durante a noite... e o calor e as cores do lume embalavam-me enquanto aquecia os pés numa tentativa frustrada de me deitar com eles quentes... frustrada, claro está, porque a casa era pequena mas o frio suficiente para gelar em 30 segundos.

De uns anos para os outros, sempre fez parte da nossa tradição de Natal o sobreiro que o meu avô zelava com tanto carinho. E as almas puderam parar lá por casa, nas suas deambulações nocturnas, e ficar mais consoladas com o calor não da lareira, mas da lembrança dos vivos e do amor que se lhes guarda mesmo sem pensar particularmente em alguém.

Lembro-me de, no ano em que fiquei sem os meus avós, me lembrar do sobreiro de Natal e de como seria bom se as suas almas também encontrassem lareiras como a nossa para se aquecerem. E lembro-me de adormecer a sorrir pensando que o amor da nossa saudade seria suficiente...

A todos um Bom Ano de 2012!!!!
Que a beleza das tradições e conhecimentos dos antigos seja preservada, e nos sirva para crescermos e nos tornarmos melhores pessoas.
 
 
Um abraço!

sábado, 24 de dezembro de 2011

Um Bom Natal!!!!

Queridos amigos,

Estamos na noite da consoada. Cá em casa usamos comer o tradicional bacalhau cozido com batatas e couves... e de cada ano que passa confirmo que este não tem o mesmo sabor daquele que comia na Roda Fundeira.

Durante anos, já sabia que ia sair de Lisboa às 20h00 do dia 24 de Dezembro para estar sentada à mesa, à meia-noite, na Roda Fundeira, com a lareira acesa,  a comer o mesmo bacalhau com batatas cozidas e couves após uma longa viagem de três horas e meia. E sabia lindamente!!!!

A cada consoada que passa, lembro mais os meus avós, o Presépio da Capela, o beijar do menino, a névoa no Rabachinho pela manhã, a ponta do nariz gelada de por ser a única coisa fora das resmas de cobertores que tinhamos de por na cama, o cheiro a fumo no cabelo e nas roupas constantemente (que ainda hoje detesto), o crepitar da lareira e a dança que o fogo faz quando se ajeitam os paus para renderem mais...

A todos um excelente Natal. Com o carinho devido, pois é ele que nos faz guardar estas saborosas memórias que nos oferecem um sorriso quando as recordamos. Com a alegria de estar junto de quem se ama, mesmo que separados por quilómetros...

E com esperança, muita esperança, simbolizada pela estrela no cimo da árvore, para que continuemos a sonhar e tenhamos força para perseguir esses sonhos enfrentando as dificuldades todas.

A tooooooooooooooodos um Bom Nataaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaal!
A toooooooooooooooodos uma Bom Nataaaaa-aaa-aaaaaaaaaaaaal!
De-se-jo-um Bom Na-taaaaaaaaaaa-aaaaaaaaaaaaaaaaal
para to-dos vóóóóóóóóóóóóóóó!

Sim, o coro de Santo Amaro de Oeiras também faz parte do meu imaginário de Natal: era a única coisa que dava no dia 25 de manhã na televisão!

Um abraço!
Agora vou abrir as prendas...

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

FELIZ 2011!!!!



O Ano Novo começava em grande festa na Roda Fundeira. Não que descendessemos de orientais (parece que ainda por lá passaram uns árabes, mas nada mais que isso) mas sim por ser o dia da Festa da aldeia, o dia do Senhor dos Aflitos. À meia-noite batiam-se os tachos, corria-se o ano velho (como já falado em posts mais antigos) e no primeiro de Janeiro bailava-se e entabulavam-se namoricos que se esperavam na volta do correio.

E, sim, claro que também me fez confusão a festa ser em Janeiro. Calculo que tenha a ver com os ritmos de trabalho do campo, uma vez que atravessamos um período de maior calmia após se terminar a apanha da azeitona e produção do azeite e enquanto a terra ainda não pode ser trabalhada para preparar a nova colheita. E depois, no pico do Inverno, neve por todo o lado, frio de rachar, dias curtos e sem sol, chuva e trovoadas... o povo bem precisava de algo para se animar!!!

Mas a verdade é que para as gerações mais novas (a minha incluída, já agora) o nosso hábito é da festa ser em Agosto. E 2-em-1, com o Senhor dos Aflitos e a Nossa Senhora juntos. Pois bem, resolvi investigar...

Parece que lá para os fins dos anos cinquenta (a minha mãe aventurou um 1957), com a aquisição da imagem da Nossa Senhora, começou também a fazer-se outra festa, em honra da Santa. Esta acontecia em Outubro, mas antes do dia 13 pois esta era a data da festa de Amioso. Por isso, contas feitas, devia de acontecer lá pelo primeiro domingo de Outubro.

Mais tarde passou a ser em Setembro, coincidindo com a ida à aldeia dos migrantes que iam fazer as vindimas. Não deixa de ser engraçado ver como os costumes se adaptaram às necessidades do seu povo...

Enfim, mas tudo isto para dizer que se aproxima a data da primeira festa da Roda Fundeira e Relva-da-Mó.

Tudo isto para vos desejar a todos, amigos da Roda Fundeira, um excelente 2011, reecheado de tudo o que precisem para vencer as crises (a económica e as outras da vida diária) e para manterem o espírito lutador e resistente que caracteriza o povo da nossa terra.

A todos,

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Muito doce!!!

Não resisti a deixar-vos umas fotos de abrir apetite... É que qualquer dia, com estas modernices dos Bolos-rei de castanhas, de chocolate, disto e daquilo, já nem se sabe o que é realmente típico. Ora na Roda Fundeira, Relva-da-Mó e arredores, havia muito comm que regalar a vista e o gosto:

 - Rabanadas... perdão, queriam desculpar a "alfacinhice"! As fatias paridas, que é um nome muito-mai-lindo!...










( tão boas, feitas pela minha avó na cozinha negra do fumo, com o pão do cacete...)

 - Filhós...ou cascoréis (como se diz nas nossas aldeias)... ou coscorões (à Lisboeta)...


e estas variações cada vez mais facéis de encontrar em qualquer pastelaria.
  

Parece que, para nos entendermos, temos de chamar coscorões às nossas tradicionais, filhós às da direita e... bom, não sei, não me entendo mesmo. E continuo a ter a sorte de elas me aparecerem lá em casa para eu me deliciar...

- Arroz doce.... que fica sempre bem acompanhado por uma filhó.... (sem, ovo, claro! porque eram precisos para outras coisas)










Contra as minhas expectactivas, parece que os sonhos também faziam parte da tradição. Na Munha não eram costume... e havia quem também os fizesse de abóbora...


E a Bola, que traduzindo, é um pão-de-ló...



Na nossa ceia lá de casa, preferimos deixar a bola para ter o Bolo-rei...


ou, pronto, vá lá, o Bolo-rainha...


E pronto. Num próximo post vou tentar deixar as receitas destas delícias... Por agora, nesta época de festas, vou mesmo continuar a deliciar-me.

E aqui entre nós, que ninguém nos ouve... acho melhor avizá-lo que ler este post pode acrescentar mais uns quilitos à sua cintura...

Um abraço e continuação de Boas festas!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Feliz Natal 2010!!!





Toca o sino, pequenino
e toda a gente a ouvir...
Ai que bom ir p'lo caminho
com gente a sorrir!!



É apenas mais uma versão do refrão do "Gingle Bells", mas penso que pode perfeitamente levar-nos às ruas das nossas aldeias. Seja quando nos encolhemos a tiritar para ir dar um prato de filhós à Ti Maria... seja quando nos juntamos para ir a Missa do Galo.

Sim, já adivinharam, estou novamente a falar das minhas recordações. Sim, porque eu ainda sou do tempo de ir fazer o Presépio à Capela, com musgo molhado e com terra e o papel de prata dos massos de cigarros a fazer de lagos de água.
 

As figuras já tinham os seus sinais de... aaaa... uso... mas era muito engraçado. E até se aproveitava para cantar um ou outro cântico de Natal mais cristão.


 
E quando saíamos à rua, misturado com aquela brisa gelada que nos cortava os pulmões ao inspirarmos, vinha o cheiro das várias lareiras que aqueciam as muitas cozinhas ainda activas naquele tempo. As panelas de ferro a cozinhar a sopa do jantar darão um futuro post...

Por agora, amigos,



Feliz Natal!!!!

 

Com muitas rabanadas e filhós, de preferência.



Um abraço.