Tenho adiado o primeiro post por falta de uma peça essencial: o provérbio! E o que se faz hoje quando nos esquecemos de perguntar à mãe? Pesquisa-se na net! De verdade ainda me lembro de uns quantos que a minha avó, mãe ou tias iam dizendo de vez em quando nos muitos serões à fogueira que passei nas férias do Natal (o gelo cá fora era tão grande que o fumo nos olhos me parecia um mal muito menor...). Todos eles com suas funções e com o tom pedagógico da sabedoria milenar, mas todos verdadeiramente actuais...
"Em Dezembro descança, em Janeiro trabalha."
Pois como há-de uma pessoa conseguir trabalhar com a azáfama dos preparativos para o Natal? Ele é: compras para fazer, refeições para planear, sms para enviar, faceboks, twitters e outras redes sociais para acompanhar e actualizar(!), prendas a comprar, mais prendas a comprar porque ficaram esquecidas na primeira volta.... ou porque a vizinha da prima da tia que quase não conhecemos e não víamos há 10 anos nos mandou um paninho de cozinha e temos o dever de retribuir o gesto simpático, ainda por cima porque a senhora, tão simpaticamente fez uns biquinhos em crochet a toda as volta (esta coisa das prendas "porque sim" revolta-me)...
Ah, e resmas de encontros de Natal (jantares, almoços, lanches ou afins) a cumprir, mesmo que as pessoas não se conheçam realmente, não tenham gosto particular em se juntar ou tenham uma apertadíssima gestão de tesouraria em curso. E , claro, mais prendas para comprar para as trocas de prendas dos referidos almoços... dos amigos secretos que toda a gente já sabe quem é e protestou porque não conhece, não tem prazer em presentear, é um nariz empinado ou torce o nariz todos os anos quando vê o que lhe calha e anuncia alto e bom som que "de facto sou uma pessoa de gostos muito simples...é difícil surpreenderem-me/agradar-me (ou outra maravilha do género).
E os horários a cumprir, a gestão familiar? Em casa de quem é a ceia, em casa de quem o almoço, que árvore fará sombra às prendas, quem estará ao pé quando forem abertas (e possíveis conflitos daí advindos)...
E as comidas!!! Quem leva as rabanadas? e o bolo-rei? E temos tronco de Natal?- Já se sabe que se falta todos queriam, se está ninguém lhe toca... e o jantar, bacalhau ou polvo? e tem mesmo de ser cozido, não se pode simplificar fazer um daqueles no forno de que nos despachamos horas antes de jantar, está delicioso quando é preciso e nos liberta para os últimos preparativos/arrumações de casa, dos miúdos, das entradas, dos imprevistos previsíveis... e que outras bombas calóricas podemos comprometer-nos a comer nesta época tão pouco saudável?
Ai o Natal... Que fácil seria se de facto festejássemos o Natal. Não falo da Missa do Galo ou da do Dia de Natal porque não tenho a tradição de assistir a elas. Mas já o fiz e mesmo aí, as conversas à saída da Igreja (quando não no meio do sermão) eram sobre estas mesmas preocupações...

Por isso resta-nos Janeiro. Para começar bem o ano. Para fazer diferente. Para cumprir as promessas de ano novo ou dar "uma forcinha" às 12 passas dos desejos. Porque este ano é que vai ser. Porque fizemos um grande balanço deste ano que passou e chegámos à conclusão que já não temos idade para estas coisas e não estamos para perder outro Natal (outro mês de Dezembro inteiro!!!) com coisas que não interessam, orque o que de facto é importante é... é... o que é importante é, manter a simplicitade, é gostar de desejar Boas festas àqueles de quem gostamos, aproveitar para estar junto dos que nos são mais queridos, é sentir o significado de passarmos um tempinho agradável junto dos que nos dizem mais. E se pudermos oferecer algo, dar um miminho especial a alguém porque queremos mesmo fazê-lo, então sim oferecer prendas.
E Janeiro é o mês em que preparamos o ano inteiro. É o princípio, para nos organizarmos. Até vamos ter eleições!!!! Vamos começar a... a gastar o dinheiro que o país não tem, a ouvir quem não queremos, a ver o que não gostamos, a discutir o que estamos fartos e a ver tudo a repetir-se outra vez...

Um abraço.
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