segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O Pôr-do-sol

Há coisas de que havemos de nos recordar com um sentimento especial. Sempre. Os cheiros, as cores, os sons... E depois há dias em que estamos no momento certo, no sítio certo, com a máquina certa. E conseguimos registar imagens destas...


Agora digam lá se esta foto não enche a alma? E juro que não há photoshop!

Um abraço.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A Ti Ilda e o bolo de café

Tenho várias recordações da Ti Ilda na sua porta azul enquanto, gaiata, passava pelo lugar a correr, a brincar à apanhada ou às escondidas, ou apressada à procura de companhia para o banho. Mas quando soube desta triste notícia, o que me veio à cabeça foi algo que apenas descobri ao escrever o post dos doces de Natal...

Passo a explicar.

Não será por acaso que oiço dizer que quando havia festa na Roda Fundeira vinham rapazes de "detrás do sol posto" para dançar com as nossas raparigas... As mulheres da Roda Fundeira sempre mostraram ser empreendedoras e esforçadas, conseguindo com os seus poucos recursos, mas com vontade férrea e árduo trabalho, chegar onde todos os outros chegavam. E, às vezes, um pouco mais além...

Preparar um casamento na aldeia não seria fácil. Embora não fosse minimamente semelhante ao aparato actual, mas era preciso fazer (e inventar, porque esta não abundava) comida para a família que, invariavelmente, implicava meia aldeia. E a outra metade apoiava na logística: cozinhar, servir, dar o "salão", preparar as mesas, os arcos, convencer o tocador... mas isso fica para outro post.

No post de hoje quero falar-vos das iguarias hoje tão vulgares mas em tempos antigos guardadas religiosamente para ocasiões muito especiais. Aliás, quero falar-vosde uma iguaria em especial: o bolo de café da Ti Ilda!

Conta a lenda (isto dá um ar mais respeitável ao que vos vou contar) que o pão-de-ló era já feito há muitos séculos (!) na Roda Fundeira. Num belo dia de madrugada, saiu da aldeia a Ti Ilda para ir à Serra ajudar no casamento da Lurdes do Ti João Sardinheiro.

Fontes de informação (para dar um ar ainda mais respeitável) dizem que terá regressado desta viagem com um pequeno tesouro: a receita para um bolo de café! A inovação estava no sabor mas também, no facto de ser feito num tabuleiro e não na tradicional forma de bolos. Um bolo rectangular, imagine-se!

Também eu fiquei surpresa ao ouvir este relato, uma vez que desde miúda me habituei a ouvir leiloar o bolo de café da Ti Olinda (que até apareceu pela Munha no verão em que estava grávida do Rafael!) e heis que a História se reescreveu para mim!

Sim, é apenas mais uma curiosidade. Mas continuo a acreditar que são estas que dão cor às nossas vidas.

Um abraço e bom fim-de-semana para todos!

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Ti Ilda

"Morrer é apenas não ser visto. Morrer é a curva da estrada." (Fernando Pessoa)


1918 ~ 2011

Na passada 6ª feira, partiu mais um filho da Terra, vítima de AVC a Ti Ilda deixou-nos aos 93 anos.

Deixará saudade na Roda Fundeira!

À familia, as condolências.

Paz à sua alma.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Provérbios de Janeiro

Será que os provérbios são como as cerejas? Pois que não sei exactamente, mas quando finalmente me consigo lembrar de um, vêm sempre dois ou três atrás. E de Janeiro nem é muito difícil...

"Janeiro molhado, se não cria o pão, cria o gado" -
Pergunto... será que o nevoeiro também conta? É que na minha zona tem havido nevoeiro todos os dias, daquele que desaparece com tudo o que está a dois metros de distância, que quase podemos agarrrar de tão espesso que é.

Janeiro quente, traz o Diabo no ventre
Então este ano não temos o que temer porque o diabo não tem qualquer hipótese! Com o frio que está.... a não ser que se tenha antecipado...

"Quem em Janeiro lavrar, tem sete pães para o jantar"
Ah... então mesmo que o Janeiro seja molhado, ainda temos de lavrar para ter pão... talvez seja melhor apostar antes na criação de gado...

"Janeiro frio e molhado, enche a tulha e farta o gado"
Bom, então em que é que ficamos? também tem de ser frio, não basta molhado? e temos de lavrar à chuva? isso já não me parece bem... quem é que vai para o meio do campo cavar com chuva? É preciso não se ter juízo...
"Em Janeiro um porco ao sol outro ao fumeiro."
Ai! Agora é que estragarram tudo!!! Então mas afinal os porcos querem sol? Mas o Janeiro tem de ser molhado para o pão e o gado.... e se tiver gado não posso tentar o porco?

"Em Janeiro sobe ao Outeiro. Se vires verdejar, põe-te a chorar, se vires nevar põe-te a cantar"
A parte do verdejar eu ainda percebo porque vem no seguimento de termos de cavar a terra (logo é remexida, logo não se vê o verde). Mas nevar? então ponho o porco ao sol no meio da neve, coitado? E ainda por cima canto a troçar dele?

"O mês de Agosto será gaiteiro se for bonito o 1º de Janeiro."
Deste eu gosto!!! É simples, não há ratoeiras e é prático. A única questão é... alguém se lembra como é que foi o primeiro de Janeiro??? É só para se perceber o que podemos planear para as férias da Roda Fundeira, se é preciso levar galochas ou apostamos antes no repelente...

E era com estas pérolas (que o são realmente, se olharmos para elas com olhos sérios e não com a brincadeira que as tratei) que os antigos se orientavam e se consolavam quando tinham de enfrentar o gelo para tratar do campo ou do gado, quando sabiam exactamente de quantos ossos eram feitos com o frio que os acompanhava nas lides do campo.

Que rica vida. A que nós temos.
Um abraço.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Ano novo, vida nova!

"Ano Novo, vida nova!", já lá diziam os antigos. Esperamos que tenham feito excelentes entradas em 2011, que o ano vos surpreenda positivamente e que a crise não vos persiga como prometido.


Tenho adiado o primeiro post por falta de uma peça essencial: o provérbio! E o que se faz hoje quando nos esquecemos de perguntar à mãe? Pesquisa-se na net! De verdade ainda me lembro de uns quantos que a minha avó, mãe ou tias iam dizendo de vez em quando nos muitos serões à fogueira que passei nas férias do Natal (o gelo cá fora era tão grande que o fumo nos olhos me parecia um mal muito menor...). Todos eles com suas funções e com o tom pedagógico da sabedoria milenar, mas todos verdadeiramente actuais...

"Em Dezembro descança, em Janeiro trabalha."

Pois como há-de uma pessoa conseguir trabalhar com a azáfama dos preparativos para o Natal? Ele é: compras para fazer, refeições para planear, sms para enviar, faceboks, twitters e outras redes sociais para acompanhar e actualizar(!), prendas a comprar, mais prendas a comprar porque ficaram esquecidas na primeira volta.... ou porque a vizinha da prima da tia que quase não conhecemos e não víamos há 10 anos nos mandou um paninho de cozinha e temos o dever de retribuir o gesto simpático, ainda por cima porque a senhora, tão simpaticamente fez uns biquinhos em crochet a toda as volta (esta coisa das prendas "porque sim" revolta-me)...

Ah, e resmas de encontros de Natal (jantares, almoços, lanches ou afins) a cumprir, mesmo que as pessoas não se conheçam realmente, não tenham gosto particular em se juntar ou tenham uma apertadíssima gestão de tesouraria em curso. E , claro, mais prendas para comprar para as trocas de prendas dos referidos almoços... dos amigos secretos que toda a gente já sabe quem é e protestou porque não conhece, não tem prazer em presentear, é um nariz empinado ou torce o nariz todos os anos quando vê o que lhe calha e anuncia alto e bom som que "de facto sou uma pessoa de gostos muito simples...é difícil surpreenderem-me/agradar-me (ou outra maravilha do género).

E os horários a cumprir, a gestão familiar? Em casa de quem é a ceia, em casa de quem o almoço, que árvore fará sombra às prendas, quem estará ao pé quando forem abertas (e possíveis conflitos daí advindos)...

E as comidas!!! Quem leva as rabanadas? e o bolo-rei? E temos tronco de Natal?- Já se sabe que se falta todos queriam, se está ninguém lhe toca... e o jantar, bacalhau ou polvo? e tem mesmo de ser cozido, não se pode simplificar fazer um daqueles no forno de que nos despachamos horas antes de jantar, está delicioso quando é preciso e nos liberta para os últimos preparativos/arrumações de casa, dos miúdos, das entradas, dos imprevistos previsíveis... e que outras bombas calóricas podemos comprometer-nos a comer nesta época tão pouco saudável?

Ai o Natal... Que fácil seria se de facto festejássemos o Natal. Não falo da Missa do Galo ou da do Dia de Natal porque não tenho a tradição de assistir a elas. Mas já o fiz e mesmo aí, as conversas à saída da Igreja (quando não no meio do sermão) eram sobre estas mesmas preocupações...

Bom, talvez não fosse bem isto que os antigos tinham em mente quando inventaram este provérbio... mas aplica-se tão bem aos dias de hoje, que não resisti. Em Dezembro, como se vê é mesmo impossível trabalhar.

Por isso resta-nos Janeiro. Para começar bem o ano. Para fazer diferente. Para cumprir as promessas de ano novo ou dar "uma forcinha" às 12 passas dos desejos. Porque este ano é que vai ser. Porque fizemos um grande balanço deste ano que passou e chegámos à conclusão que já não temos idade para estas coisas e não estamos para perder outro Natal (outro mês de Dezembro inteiro!!!) com coisas que não interessam, orque o que de facto é importante é... é... o que é importante é, manter a simplicitade, é gostar de desejar Boas festas àqueles de quem gostamos, aproveitar para estar junto dos que nos são mais queridos, é sentir o significado de passarmos um tempinho agradável junto dos que nos dizem mais. E se pudermos oferecer algo, dar um miminho especial a alguém porque queremos mesmo fazê-lo, então sim oferecer prendas.
E Janeiro é o mês em que preparamos o ano inteiro. É o princípio, para nos organizarmos. Até vamos ter eleições!!!! Vamos começar a... a gastar o dinheiro que o país não tem, a ouvir quem não queremos, a ver o que não gostamos, a discutir o que estamos fartos e a ver tudo a repetir-se outra vez...
Mas vamos fazer a diferença. este ano é que é! Vamos trabalhar em Janeiro!!! Força aí, pessoal, que estamos convosco!!!

Um abraço.