Mostrar mensagens com a etiqueta passado. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta passado. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Turistas de Amiosinho - parte II

Confesso que já ando a pensar em Agosto, na festa e na Roda Fundeira. Já temos o programa todo alinhado para o fim-de-semana do segundo sábado, como manda a tradição e já começaram os telefonemas em que nos despedimos com "Então vêmo-nos lá (Roda Fundeira)!". É todos os anos assim.

E quando finalmente vamos, também há coisas que habitualmente fazemos, locais que todos os anos visitamos, pontos de interesse em que nos vamos habituando a reparar...

De há uns anos para cá, quando faço a primeira viagem a Alvares (normalmente por uma de duas razões: mergulho na piscina ou festa), já me habituei a olhar mais atentamente para a estrada da Amiosinho onde costuma parar um casal de turistas. Este foi o nosso último entcontro, já lá vão uns largos meses...


Com a cesta da colheita (que belas abóboras!) e o cesto do farnel...


Se um certo senhor Peça fosse vivo, diria "E esta heim?". Eu vou concluir a perguntar... e este ano, Natália, que vão fazer os turistas?

Um abraço!

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Almoço dos Combatentes da Freguesia de Alvares

É já no próximo dia 28 de Abril que se realiza o 8º Almoço dos Combatentes da Freguesia de Alvares.

Este ano temos o prazer de acolher esta iniciativa na nossa Casa de Convívio, em Roda Fundeira. Para quem se quiser inscrever, basta dirigir-se aos rostos já habituais na organização. E entretanto pode ser que o São Pedro aqueça um pouco o tempo para que o dia seja solarengo e permita o bailarico no nosso belo largo da Casa da Comissão, à semelhança do já feito em ocasiões anteriores.

Não tenho fotos de almoços anteriores, apenas as imagens mentais que vou formando dos rapazes de há cinquenta anos a sairem todos juntos da aldeia para "irem às sortes". Gosto desta expresssão. E alguém )João Gil) se lembrou em 1996 de escrever uma canção sobre esta ocasião que marcava a passagem de criança/jovem a adulto - "ele até já foi às sortes!"

Fui às sortes e safei-me
direito que nem um fuso
não compreendo aquele uso
de fazer tudo aprumado
ele há coisas que eu cá sei
que só se fazem curvado

Fizeram-me a vistoria
levaram tudo a preceito
até me viram o peito
e um pouco mais ao fundo
cada qual na sua vez
e tal como veio ao mundo

No fim já mais à tardinha
deram um papel timbrado
onde vinha o resultado
não me davam qualquer uso
fui às sortes e safei-me
direito que nem um fuso


Para quem quiser e puder, aqui fica a versão com som: Rio Grande - Fui às sortes

A todos um abraço e um bom encontro!

sexta-feira, 24 de junho de 2011

O Saltarisco

E este, meus caros amigos, é o saltarisco!

Também conhecido por gafanhoto, por terras menos serranas, este malandro dáva-me muito que fazer sempre que me predispunha a ajudar o meu primo Carlos Alberto a ir à pesca. Claro que em tempos idos, que isto de andar a correr atrás de saltariscos pelo mato tem o seu prazo de validade bem determinado na idade de qualquer um de nós... Mas o que é verdade é que bem me divertia!

Aprendi com os conselhos sábios do meu primo (exímio pescador, todos bem sabem) que os melhores eram os verdes. Não os sportinguistas, mas os de asas verdes. Ora claro está que as asas dos saltariscos só se vêm quando eles... saltam. Já se adivinha porque é que me divertia tanto na "caça": a minha tarefa era primeiro fazê-los saltar pelo que tinha de correr pelos campos.

Depois da prospecção, recolhíamos os candidatos mais agradáveis para dentro de um saco de plástico (devia fazer parte da anestesia) e íamos para a Foz Palheiros tentar enganar os peixes. Lá o meu primo fazia a parte mais complexa e badalhoca disto tudo: tirava-lhes a cabeça e predia-a ao anzol. O resto ia fora, o que sempre me pareceu um verdadeiro desperdício - tanto trabalho para deitar a parte maior do bicho fora! ainda me lembro de tentar uma vez fazer esta parte, mas entre a minha falta de jeito, o nojo da coisa e o medo que o meu primo tinha que me espetasse no anzol, não correu muito bem... Assim determinámos que, das vezes me que o ajudei, eu apanhava o isco e ele dáva-lhe uso.

Recordo-me ainda de ele me tentar ensinar que os vermelhos eram para pescar no poço negro já não sei o quê e que os azuis também eram muito melhores para outra coisa qualquer. Enfim, nunca fui grande pescadora...

O que é verdade é que naquele tempo o que era difícil era andar por aquela terra, com estradas ainda por alcatroar, sem que dois ou três destes amiguinhos poisassem em nós entre dois saltos. Eram verdes e pequenos que havia muita gente a precisar de isco. Este ano na Páscoa, quando visitei a nossa aldeia pela última vez, encontrei para lá uns quantos também verdes mas em tamanho gigante, a fazerem lembrar os escolhidos para o papel de praga biblica nos filmes temáticos...E juro-vos que não tentei arrancar a cabeça a nenhum desses. Mas ainda fiz o meu papel de mãe e ensinei aos meus filhotes que aquele gafanhoto se chamava saltarisco...

Um abraço.

terça-feira, 1 de março de 2011

O bolo de Café da Ti Ilda - parte II

De vez em quando temos surpresas com os posts do nosso Blog. Ontem esperava-me uma no meu e-mail. À semelhança de anteriores, optei por transcrevê-la....

"Cristina,
aqui vai a receita do bolo de café que a minha avó fazia, podes publicar se achares interessante,
500g de açúcar
500g de farinha
3 ovos
café q.b.
canela em pó (a gosto)

Misturam-se todos os ingredientes, com a ajuda do café (na quantidade necessária para ficar com a consistência pretendida), coloca-se a massa num tabuleiro previamente untado com margarina e polvilhado com farinha e coze em forno Médio (180º) durante aproximadamente 1 hora.

hoje em dia, na familia, fazemos de forma um bocadinho diferente, mas esta é a receita original de um tempo de crise, como tu descreves no blog

Obrigada pelo post,

bjs
--
Ilda"

Em nome dos amigos da Roda Fundeira agradeço o contributo. É um pedaço da nossa história (da Roda Fundeira) que deve ser partilhado.

Um abraço.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O Pôr-do-sol

Há coisas de que havemos de nos recordar com um sentimento especial. Sempre. Os cheiros, as cores, os sons... E depois há dias em que estamos no momento certo, no sítio certo, com a máquina certa. E conseguimos registar imagens destas...


Agora digam lá se esta foto não enche a alma? E juro que não há photoshop!

Um abraço.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A Ti Ilda e o bolo de café

Tenho várias recordações da Ti Ilda na sua porta azul enquanto, gaiata, passava pelo lugar a correr, a brincar à apanhada ou às escondidas, ou apressada à procura de companhia para o banho. Mas quando soube desta triste notícia, o que me veio à cabeça foi algo que apenas descobri ao escrever o post dos doces de Natal...

Passo a explicar.

Não será por acaso que oiço dizer que quando havia festa na Roda Fundeira vinham rapazes de "detrás do sol posto" para dançar com as nossas raparigas... As mulheres da Roda Fundeira sempre mostraram ser empreendedoras e esforçadas, conseguindo com os seus poucos recursos, mas com vontade férrea e árduo trabalho, chegar onde todos os outros chegavam. E, às vezes, um pouco mais além...

Preparar um casamento na aldeia não seria fácil. Embora não fosse minimamente semelhante ao aparato actual, mas era preciso fazer (e inventar, porque esta não abundava) comida para a família que, invariavelmente, implicava meia aldeia. E a outra metade apoiava na logística: cozinhar, servir, dar o "salão", preparar as mesas, os arcos, convencer o tocador... mas isso fica para outro post.

No post de hoje quero falar-vos das iguarias hoje tão vulgares mas em tempos antigos guardadas religiosamente para ocasiões muito especiais. Aliás, quero falar-vosde uma iguaria em especial: o bolo de café da Ti Ilda!

Conta a lenda (isto dá um ar mais respeitável ao que vos vou contar) que o pão-de-ló era já feito há muitos séculos (!) na Roda Fundeira. Num belo dia de madrugada, saiu da aldeia a Ti Ilda para ir à Serra ajudar no casamento da Lurdes do Ti João Sardinheiro.

Fontes de informação (para dar um ar ainda mais respeitável) dizem que terá regressado desta viagem com um pequeno tesouro: a receita para um bolo de café! A inovação estava no sabor mas também, no facto de ser feito num tabuleiro e não na tradicional forma de bolos. Um bolo rectangular, imagine-se!

Também eu fiquei surpresa ao ouvir este relato, uma vez que desde miúda me habituei a ouvir leiloar o bolo de café da Ti Olinda (que até apareceu pela Munha no verão em que estava grávida do Rafael!) e heis que a História se reescreveu para mim!

Sim, é apenas mais uma curiosidade. Mas continuo a acreditar que são estas que dão cor às nossas vidas.

Um abraço e bom fim-de-semana para todos!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Provérbios de Janeiro

Será que os provérbios são como as cerejas? Pois que não sei exactamente, mas quando finalmente me consigo lembrar de um, vêm sempre dois ou três atrás. E de Janeiro nem é muito difícil...

"Janeiro molhado, se não cria o pão, cria o gado" -
Pergunto... será que o nevoeiro também conta? É que na minha zona tem havido nevoeiro todos os dias, daquele que desaparece com tudo o que está a dois metros de distância, que quase podemos agarrrar de tão espesso que é.

Janeiro quente, traz o Diabo no ventre
Então este ano não temos o que temer porque o diabo não tem qualquer hipótese! Com o frio que está.... a não ser que se tenha antecipado...

"Quem em Janeiro lavrar, tem sete pães para o jantar"
Ah... então mesmo que o Janeiro seja molhado, ainda temos de lavrar para ter pão... talvez seja melhor apostar antes na criação de gado...

"Janeiro frio e molhado, enche a tulha e farta o gado"
Bom, então em que é que ficamos? também tem de ser frio, não basta molhado? e temos de lavrar à chuva? isso já não me parece bem... quem é que vai para o meio do campo cavar com chuva? É preciso não se ter juízo...
"Em Janeiro um porco ao sol outro ao fumeiro."
Ai! Agora é que estragarram tudo!!! Então mas afinal os porcos querem sol? Mas o Janeiro tem de ser molhado para o pão e o gado.... e se tiver gado não posso tentar o porco?

"Em Janeiro sobe ao Outeiro. Se vires verdejar, põe-te a chorar, se vires nevar põe-te a cantar"
A parte do verdejar eu ainda percebo porque vem no seguimento de termos de cavar a terra (logo é remexida, logo não se vê o verde). Mas nevar? então ponho o porco ao sol no meio da neve, coitado? E ainda por cima canto a troçar dele?

"O mês de Agosto será gaiteiro se for bonito o 1º de Janeiro."
Deste eu gosto!!! É simples, não há ratoeiras e é prático. A única questão é... alguém se lembra como é que foi o primeiro de Janeiro??? É só para se perceber o que podemos planear para as férias da Roda Fundeira, se é preciso levar galochas ou apostamos antes no repelente...

E era com estas pérolas (que o são realmente, se olharmos para elas com olhos sérios e não com a brincadeira que as tratei) que os antigos se orientavam e se consolavam quando tinham de enfrentar o gelo para tratar do campo ou do gado, quando sabiam exactamente de quantos ossos eram feitos com o frio que os acompanhava nas lides do campo.

Que rica vida. A que nós temos.
Um abraço.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Lembram-se do "onde está o Wally?"

Que tesouros se descobrem nas arcas da roda Fundeira... Esta foto é um desses tesouros que publicamos para tentar que nos ajudem a identificar os participantes em mais uma actividade de verão de há muitos anos atrás... Lembram-se dos livros "onde está o Wally?"? Pois bem, é parecido - só que temos muitos wallys para encontrar...

Lupas em punho, vamos então retroceder no tempo....

Enviem-nos as legendas possíveis que nós encarregamo-nos de as colocar na imagem. Vamos dar-lhes nomes!

Um abraço e bom trabalho!

sexta-feira, 30 de julho de 2010

A nossa terra... com sentimento

Hoje resolvi fazer um post de partilha de sentimentos. Porque acho que sim, porque o nosso blog também pode ter os seus momentos lamechas e porque eu e o David, de vez em quando, nos sentimos tocados com as coisas que vocês (que nos lêem) nos dizem e escrevem (o que é muito raro e, por isso, digno de nota).

Isto de escrever um blog foi completamente novo para nós. Primeiro como fazer, depois deu-se um ar bonito à coisa, a seguir que conteúdos, depois de que forma, e as imagens e os vídeos...? Aos poucos aprende-se muita coisa, fazemos alguns erros, mas divertimo-nos muuuuuuuuito e conseguimos algo que nos dá muita satisfação: um instrumento de comunicação para os Rodafundeirenses, onde se guardam pedacinhos da nossa história e onde se revive aquilo que torna a Roda Fundeira tão especial. E, porque não veríamos isto de outra forma, aberto à comunidade e à participação de todos os que assim o quiserem. (Sim, os comentários são mesmo livres, podem fazê-los!!!!)

Quando regressámos da Roda Fundeira após o Agosto passado, recebemos um mail que nos deixou de lágrima ao canto do olho. (Pronto, pelo menos a mim). A nossa comentadora mais assídua, a Cristina Neves (onde andas?), dirigiu-nos uma mensagem pós-férias. E estas férias foram mesmo especiais, uma vez que ela e a irmã regressaram à aldeia da infância após alguns anos sem por lá passarem. Deve ter sido grande a emoção de reverem sítios, cheiros, cores, pessoas e emoções. Deixo-vos o texto que publicamos com a sua autorização. Obrigada Cristina!

"Olá Cristina!
Foi muito bom ver-vos! Ver a vossa família tão bonita e como estão óptimos! E grandes! Fico sempre estupefacta quando vejo o Rui, já adulto e com filhos. O teu marido (nas minhas memórias) tem sempre 7 anos…e ainda está aprender a nadar…:-)

Eu comento os post e depois imprimo tudo à sexta-feira, a cores e em tamanho A4, para a minha mãe ver no Sábado, que é o dia em que as “filhinhas” vão almoçar lá a casa.

A minha mãe adora ler o blog, ver as fotos e os comentários! Não sei se reparaste, mas nos comentários, menciono-a quase sempre! É intencional… Ela fica toda contente, e assim também faz parte do blog!


A criação deste blog foi uma ideia FABULOSA! Bem sei que vos dá uma trabalheira, mas vocês não conseguem imaginar o impacto e o prazer, que é para a minha mãe, a sua existência! É um elo de ligação entre ela e a RF!


Em Outubro de 2007, quando descobri (meramente por acaso) o blog, a minha mãe nem sabia bem o que era um blog e ficava estupefacta ao ver as fotos das pessoas e dos lugares que lhe eram tão familiares. Às vezes até ficava comovida…e nós também…

No ano passado, quando vimos os filmes da festa em Agosto, ficámos maravilhadas! Foi uma forma de estarmos lá virtualmente e até eu fiquei bastante comovida com a música e as danças. Há anos que eu não ouvia aquela música e via aquelas danças e percebi que realmente, fazem parte do nosso passado, das nossas memórias e de nós.

A RF era para mim e a minha irmã, um lugar um bocadinho mítico, do qual só tínhamos boas recordações e eu confesso que até estava com um bocadinho de receio de regressar, 20 anos depois, a um lugar onde fomos felizes. Aquela música do Rui Veloso “nunca voltes ao lugar onde já foste feliz” é quase sempre verdade, mas neste caso não foi! Gostámos muito de ter voltado!


Quando chegámos à Relva-da-Mó, parámos o carro, saímos e ficámos as três emocionadas. Cheirava ao mesmo. Foi uma espécie de chegar a casa. Foi bom.


Conseguimos compreender porque é que a minha mãe gosta tanto de lá ir.


Tirámos dezenas de fotos (até às campas no cemitério, o que se calhar não é lá muito católico)! E já fizemos um grande álbum, com todas as fotos e “comentado” para a minha mãe.


Filmei o Poço Lavadouro, o Poço da Moura e o som dos chocalhos ao anoitecer, que já não me lembrava ser um som tão característico de lá.


Fico à espera das novidades e estendo também, os meus agradecimentos, ao David Amaral, acrescentando que nas minhas memórias, a mulher dele, a Isabel Cristina, também tem sempre 7 anos e que me parece inacreditável que já seja adulta e tenha dois filhos!


Um grande beijinho para todos da Cristina"

Mais uma vez obrigada, Cristina. É verdade que tivemos uma publicação irregular ultimamente, mas estamos a tentar retomar o ritmo. E para ser perfeito, perfeito, perfeito.... só faltam essas fotos! hehehehe

A todos um bom fim-de-semana!

segunda-feira, 26 de julho de 2010

As boas noites de Agosto

Lembro-me de ter saudades da Roda Fundeira, dos meus avós, dos poços e das companhias de verão. Isto numa altura em que pouco fazia por lá, para além de ajudar nos trabalhos do campo quando era preciso (aquilo que sabia fazer, claro) e de me divertir a cozinhar com ervas e terra, com água que corria sempre na fonte, com os púcaros da resina que discretamente desviava do pé dos pinheiros (mas só os vazios e já partidos, para não ser muito mau)... E, como não podia deixar de ser, a ribeira, as duas horas de banho dentro da água que naquela altura era quente, e as mil parvoíces próprias da idade que se faziam...

Agora passei a pertencer aos cotas e as saudades da terra vão mudando - agora tenhos os filhotes para ensinar mais traquinices que ainda não tenham descoberto (às vezes com direito a raspanete se as descobrem antes que lhas ensine...) e poucas são as vezes em que tenho direito de ficar à noite na Eira Nova a saborear as férias.

Mas como vou sabendo o que se vai passando e é bom recordar e saborear por antecipação o novo reencontro que se aproxima, deixo-vos aqui fotos de uma dessas noites num verão recente em que se juntou uma viola com umas mãos que a conhecem e uma voz sem receio de desafinar...







Um abraço!

terça-feira, 6 de julho de 2010

Incêndio 1989

Recebemos do Necas algumas fotos de momentos menos bons passados na RF. Os incêndios que de vez em quando passam pela Aldeia dizimam o verde dominante das paisagens que nos circundam. As fotos que o Necas nos enviou foram tiradas no verão de 1989.














Esperemos não voltar a ver este cenário na RF.

Até breve.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

O esforço de todos

Passámos uma época de festas, mas não deixei de remoer em alguns pensamentos menos positivos para a nossa bela aldeia... e ao remexer numa gaveta lá de casa encontrei um documento histórico!

Prometo fazer um post só com as fotos mais antigas da Casa de Convívio, mas deixo-vos uma lembrança do que esta era nos anos 80: um espaço com potencial, em que faltava segurança e condições, mas em que se reuniam pessoas com vontade de construir e trabalhar, de juntar forças e conseguir fazer a diferença...

Este cartaz circulou pelos Rodafundeirenses e seus amigos na altura em que se decidiu construir o muro que suportaria a área em que actualmente todos gostamos de perguiçar um pouco e conviver nos (poucos) dias por ano em que temos o privilégio de visitar a aldeia. A mensagem nele incrita (penso que da autoria do José Pedro, com colaboração de João Henriques e de Adelino Coelho) diz:
"Airosa bonita e bem localizada
com Eira nova, mas sem muro
ajude a torná-la no futuro
mais segura, limpa e arrumada."

COLABORE CONOSCO. VAMOS CONSTRUIR O MURO!"

E a angariação de fundos partiu desta certeza de que "juntos conseguimos" e de "temos que ser nós".

Por isso hoje despeço-me com uma frase que não é minha, mas que vem mesmo a propósito...
... Vale a pena pensar nisto!

Um abraço.

terça-feira, 29 de junho de 2010

E você, a que horas se levantou hoje?

Diziam os mais antigos, que hoje, dia de São Pedro, destinava-se o resto do ano. Assim, quem se distraísse e se levantasse depois do nascer do sol, passava o resto do ano a dormir. Calculo que não desse muito jeito….

Todos, então, teriam de madrugar mais ainda do que o costume. Até porque, para complicar, os ainda mais antigos contavam a segunda metade deste dito: que a água era benta o dia todo e que, antes do sol nascer, era bom beber-se água em sete nascentes. Na Roda Fundeira, terra rica em água, não seria difícil encontrá-las: no Valdamego, na Barroca das Sobreiras, na Várzea, na Quinta, na Feiteira, no Vale das Colmeias, no Vaz Coelhos (será assim?!?!?), no Vale da Abelheira, e em todas as outras muitas terras de cultivo com nomes engraçados que rodeiam a aldeia.

Ora, digo eu que só ouvi a história, que me parece que esta era uma boa desculpa para se prolongar o bailarico até horas normalmente menos aceitáveis e para restabelecer o equilíbrio de líquidos no corpo antes de pensar em voltar às árduas tarefas do campo…

Mas isto sou eu que digo no meio do meu sono, que não sei se ainda é o do ano passado, ou se é o que já entrou em vigor às 7 da manhã deste ano, hora a que me levantei… claro que depois do nascer do sol…

Um abraço.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

O dia do banho anual!

Em tempos de festa, convém esmerar-se mais a apresentação. Assim, é de bom-tom dar um jeito ao cabelo, ir ao barbeiro, arranjar fatiota nova e mais fresca porque estamos no tempo quente. E claro, nada disto faria sentido, sem uma boa higiene pessoal…

Diz-me a minha mãe, que o dia de São Pedro era o dia do banho anual. Elas gostavam! Ficavam bem mais fresquinhas, limpinhas, cheirosas e arranjadas, prontas para desfilarem nos caminhos do costume, todas vaidosas de tão arranjadas. Parece que até luziam de tão brilhantes que ficavam.

Proponho-vos que imaginem agora a cena: elas ansiosas, à beira da ribeira, a olharem para a água fria, tão apetecível naqueles dias quentes, à espera da ordem para poderem mergulhar e saírem do outro lado, todas contentes e limpinhas. E o chapinhar e a algazarra que faziam!!! Depois, era só sacudir o resto da água e estavam prontas para seguir com a sua vidinha, durante mais um ano, até ao próximo dia de São Pedro… o dia em que a água é benta e se dá o banho anual… às ovelhas!!! (hehehe!)

Apressem-se que está a chegar o dia!

Um abraço!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O bailarico dos Santos

Ora e quem recorda fogueiras para saltar, também se deve lembrar do bailarico…

Parece que o costume era o São Pedro presentear os rodafundeirenses com noites de muito calor e (presumo eu) céu bem estrelado. O baile era ao ar livre e ia variando entre a Eira, o Oirado e a Eira Nova. Mas primeiro tinha de se arranjar o salão: delimitava-se o espaço com uma cercadura de verduras e rosmaninho, talvez acácias ou pinheiro, enfeitada com flores, que as havia em fartura. A esta distância, acredito que muitos dançarinos tenham ficado bem contentes por terem terreno tão acidentado para mostrar os seus dotes… ou a falta deles…

A grande diferença para as outras festas era no chapéu que as raparigas ostentavam: o chapéu de São João!!!.. Esta delicada peça, digna de qualquer grande criador da moda, era geralmente feita pelas avós ou mães para a criançada no geral e pelas moças que gostassem de mostrar as suas habilidades. A base era feita com umas hastes de nardo ou de aipo, enroladas e presas sem necessidade de cordel, formado uma espécie de coroa. Depois enfeitava-se com cravos (quem os tivesse) ou com outras flores, à vontade do designer. Lembro-me de a minha mãe ainda me fazer uns quantos e, no meu olhar de miúda, eram lindos!!!!

Depois de um dia de convívio e pic-nic no Santo António do Alto, chegava-se com vontade de continuar a festa e ficar acordado até de manhã. Diz quem por lá passou, que o pior era no dia seguinte, quando tinha de se ir “acartar mato”… aposto que quem vai hoje para os Santos até sabe o que isso é!

Um abraço e bons festejos!

terça-feira, 15 de junho de 2010

O mistério do ovo!

Contou-me a minha mãe que havia um ritual estranho com um ovo a cumprir na noite de Santo António. Parece que o Santo, que em Lisboa casava as jovens neste dia, na lonjura da Roda Fundeira só podia dar previsões. Afinal, temos de entender que a tecnologia era diferente na altura, não havia internet, o telefone pouco funcionava e a estrada só chegava à Barraca – também não se podia pedir mais ao Santo!

Bom, passo a explicar: para um copo cheio de água, partia-se um ovo. E, para o resultado ser credível, não bastava afogá-lo, era também preciso pô-lo fora de casa nessa noite. O coitado tinha de apanhar a orvalhada e nem podia ver o nascer do sol para ser lido e decifrado segundo a arte antiga. E o ovo revelava então se o futuro reservava riqueza, casamento, filhos ou outras previsões que tais, altamente fiáveis e completamente abençoadas pela orvalhada do Santo António.

Agora as minhas dúvidas: teria o ovo de ser sujeito ao sacrifício antes ou depois de se ir saltar a fogueira? Poderia ficar numa janela que apanhasse com o fumo perfumado do rosmaninho? Ou seria este o responsável pelos falsos vaticínios? E será que explodia se visse o sol nascer? Ou seria só o responsável pelo vermelho da vergonha nas faces coradas das raparigas? Será que deu coragem a alguém para aceitar uma carta nos dias seguintes? Ou será que, pelo contrário, fechou algumas portas ou gorou planos mais ousados?

Seria interessante fazer agora um estudo para perceber quantos ovos sofreram tal destino e, destes, quais falaram verdade. Se quiserem dizer-nos, publicaremos com gosto os resultados.

E só Deus sabe porque hão-de os nossos antepassados ter-se lembrado de tal invenção.

Um abraço!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Vivam os Santos Populares!

Em tempos que já lá vão era durante o dia 12 que se dava início aos preparativos para as festividades: era preciso arranjar o rosmaninho com que à noite se faria a fogueira para saltar.


Na Munha, a fogueira era no meio da rua. Sim, porque antigamente não havia lá a largueza de estrada que agora temos.

As pessoas iam-se juntando à volta da fogueira e quem quisesse aventurar-se, saltava-a. Diz quem me conta, que era mais fumo perfumado que labareda e que o salto não era assim tão difícil…

Parece que eram várias ao longo da aldeia. Pondo-me a adivinhar, haveria na Eira, no Valdamego, talvez no Barroco também. E será que se viam as fogueiras da aldeia vizinha, a Relva-da-Mó?



De qualquer forma, acredito que o cheiro a fumo destas noites sejam bem mais agradável de recordar pelo seu perfume do que o de outras noites de anos bem menos remotos…


Bons Santos!
Um abraço.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

75 anos CMRF - Desfile de Carnaval II

Notícia de última hora!!! Grande corso Carnavalesco da Roda Fundeira prepara-se para deslumbrar os bravos corajosos que se atrevam no frio!!!

Bom... na realidade nada sei dos preparativos para este ano. Mas posso sempre lembrar que no ano passado foi animado, no início das comemorações do 75º aniversário da nossa Comissão. Para abrir o apetite para este ano, ficam fotos e vídeos ainda não publicados..

A boa-disposição foi o ponto de partida.













Sob o lema "poucos mas bons", já não eram assim tão poucos e alguns já não estavam assim tão bons...











Como convém, fomos petiscando por essas aldeia "afora". E em cada casa seu baile...e sua cantiga de agradecimento...





















E claro que, quando se começa com boa-disposição, muita coisa vem atrás:
A partilha...










A amizade...


O espírito de equipa, a colaboração, a divisão das tarefas... eu seco os copos, tu vais buscar o chouriço, nós damos apoio moral... vocês sabem como é...!

Houve até quem, imbuído no espírito da partilha, fizesse promessas...


Foi uma tarde muito animada e uma noite quase ao nível das de Agosto. Não fosse o frio lembrar-nos que ainda estávamos em Fevereiro e terminaria bem após as "pequenas" 23h.... Mas claro que o que conta não é a quantidade e sim a qualidade. E essa, meus amigos, foi muuuito boa!

E ao corso deste ano... vençam esse frio, essa neve, esse gelo e essa vontade de não sair de debaixo dos cobertores e vão alegrar a nossa bela aldeia!

Saudações Carnavalescas!